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Roubo a banco na região já supera 2017

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O número de roubos a bancos registrados nos primeiros três meses do ano já superou os casos de 2017 inteiro no Grande ABC. Foram quatro registros até março contra três contabilizados ao longo do ano passado.

Embora os indicadores deste tipo de crime tenham apresentado queda acentuada até 2017, especialistas são unânimes em afirmar que o atual panorama sugere possível retomada desta modalidade de roubo não só no Grande ABC, como em toda a Região Metropolitana de São Paulo, tendo em vista os recentes episódios.

Somente neste mês foram três ocorrências, sendo duas em Santo André e uma em São Bernardo. Houve ainda um caso em janeiro, em Mauá. Na oportunidade, o alvo foi uma agência bancária da Caixa Econômica Federal. Sete pessoas foram presas, sendo dois policiais civis e um ex-policial.
 
Na última edição do Notícias Bancárias a questão da falta e segurança nos bancos foi destacada, registrando a morte de Michele Bertolini, assassinada durante tentativa de assalto no Mercantil, e outros dois casos em Santo André. 
"Precisamos de mais investimentos nos locais de trabalho e de uma ação coordenada com as polícias. Infelizmente, a segurança pública no Brasil é precária, e isso só piora a condição dos trabalhadores, clientes e usuários dos bancos", apontou o presidente do Sindicato, Belmiro Moreira, lembrando ainda do quanto essa situação aumenta o adoecimento na categoria e das propostas das entidades sindicais para mais segurança nos bancos (veja edição do NB na íntegra clicando aqui
 
Anáilises - “O volume alto de ocorrências em um intervalo tão pequeno nos sugere que quadrilhas especializadas em roubo ao patrimônio têm voltado a atuar no roubo a banco”, enfatiza David Pimentel Barbosa de Siena, professor de Direito Penal da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) e coordenador do observatório de Segurança Pública da região.
 

A mudança do alvo por parte de quadrilhas, bastante comum, segundo o especialista, pode estar atrelada à dificuldade desses grupos em atuar em outras frentes, como é o caso de roubo a transportadoras de valores.

“Nos últimos anos, as quadrilhas focaram em roubo a veículos de transporte de valores, em especial aqui no Estado de São Paulo. No entanto, depois dessa incidência, o que se viu foi o reforço na segurança desses veículos, o que dificultou a ação de criminosos, que migraram de volta aos bancos”, avalia Siena.

Segundo ele, o cenário é facilitado graças à fragilidade apresentada pela segurança de agências bancárias, serviço executado por empresas terceirizadas. “Estamos falando de quadrilhas que têm alto conhecimento do que fazem”, ressalta.

Embora concorde que os fatores acima possam ter contribuído para o aumento de casos, o especialista em Segurança pública e privada Jorge Lordello diz ver nas recentes ocorrências uma característica ainda mais acentuada. “Quadrilhas que roubam bancos têm um único objetivo: criar caixa para movimentar o tráfico de drogas.” O raciocínio é simples. O tráfico de drogas é hoje algo em ascensão no País. No entanto, para movimentar este mercado, criminosos necessitam de alto capital para aquisição de maquinários que só são comprados à vista, geralmente, fora do País. “Como comércios não possuem mais altos valores em caixas e as pessoas só usam cartão, o alvo acaba sendo o banco, que tem esse dinheiro fácil”, explica.

De acordo com a Pasta, as polícias da região “atuam continuamente para impedir e investigar as ações criminosas que envolvam agências bancárias” e há discussão sobre o combate a este tipo de crime com outras instituições, como a Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), o Exército e a União. Dentre as medidas, há a decisão do Exército de obrigar as empresas a terem escolta privada para evitar o extravio de dinamite e o mapeamento georreferenciado dos caixas eletrônicos para dar maior eficiência ao policiamento. 

Da Redação, com informações do Diário do Grande ABC

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