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Rumo aos 50 Anos
Entidade que nasceu em 1959 sofreu revés na ditadura militar, virou assistencialista e só retomou combatividade nos anos 90

O Sindicato foi criado no ano de 1959. Como exigia a legislação da época, nasceu primeiro como associação, no mês de março, e alcançou o status de entidade sindical em outubro daquele ano. Seu primeiro presidente foi o mineiro Lincoln dos Santos Grillo, funcionário do banco de Crédito Real de Minas Gerais, que duas décadas mais tarde se tornaria prefeito de Santo André.

A história da entidade é marcada pela vocação política de seus dirigentes e pelas mudanças que sacudiram o País nesses 50 anos. Seus primeiros diretores declaravam-se pessoas de esquerda, em geral vinculadas a convicções e lideranças comunistas e trabalhistas. Nos dez anos seguintes à sua criação, porém, muda o cenário nacional e internacional e, de forma abrupta, tem início o longo período ditatorial que abalou o Brasil.

Como muitos sindicatos de então, o dos bancários do ABC se molda ao modelo assistencialista. As vozes e reivindicações dos trabalhadores estão caladas, e suas entidades representativas com raras chances de estimular o processo formativo e de conscientização crítica. É só a partir dos anos 90, com a Oposição Bancária, que a entidade retoma o caminho democrático e passa a representar de fato os interesses da categoria.

O período que compreende as duas primeiras décadas da entidade lamentavelmente deixou pouquíssimos registros documentais. O acervo guarda apenas atas que recuperam os passos do Sindicato de 1959 a 1969, ainda assim com graves lacunas. O levantamento começou a ser feito pelo Sindicato em 2007, a partir de iniciativa da gestão da historiadora Maria Rita Serrano, com o propósito de comemorar o cinqüentenário. Antigos diretores, bancários e representantes de demais categorias que acompanharam o iniciar do Sindicato foram procurados e entrevistados para o projeto, centrado basicamente na memória oral para o resgate destes 20 primeiros anos. Um selo comemorativo foi lançado na publicação Notícias Bancárias e demais materiais informativos da entidade, como forma de recuperar e também registrar este trabalho.

Saiba mais sobre a história do Sindicato:
Anos 50
4 de março de 1959 – ata registra assembléia para fundação da Associação Profissional dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Mauá e Ribeirão Pires.

10 de outubro de 1959 – transformação da Associação em Sindicato.

Anos 60
1960 - Lincoln Grillo é eleito delegado-eleitor como representante dos empregados na Junta de Julgamento e Revisão (JJR) do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários (IAPB).

1961 - Abril marca a realização de eleições para eleger a diretoria do Sindicato ao mandato 1961/1963. A sede era na rua Campos Sales 128, 1º andar, salas 26 e 27. A base eleitoral somava 297 sócios em condições de votar, mas compareceram 245. Foi inscrita apenas uma chapa encabeçada por Lincoln Grillo, que recebeu 241 votos. Além de Grillo, foram eleitos Paulo Machado Lima, Ethevaldo Melo de Siqueira, Ângelo Crusco, Waldemar Pitton, José Figueiredo Gomes e José Benedito da Silva. Em 1961 os bancários do BB estão mobilizados. É campanha e eles participam de assembléia no Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André. Há movimento grevista em outros Estados, como o da Guanabara. Em São Paulo a categoria rejeita proposta de conciliação do TRT. O ABC fica em compasso de espera.

1962 - Em janeiro é ajuizado dissídio e os bancários de São Paulo aceitam a proposta do Tribunal. Os do ABC, porém, rejeitam e apresentam a seguinte proposta: 50% de aumento geral; Cr$ 8.000 de aumento mínimo; Cr$ 200 por ano de serviço; Cr$ 1.000 de salário família por dependente, 20% de abono e instituição de Comissão Paritária para discutir salário profissional. O valor da mensalidade do Sindicato em janeiro de 1962 era de Cr$ 30; em maio passa a Cr$ 100. No mês de julho, em convenção, os bancários do ABC discutem salário profissional, contrato coletivo de trabalho, salário família, 13º salário, salário mínimo de menores e campanha salarial. E também Previdência Social, ambulatório médico, agências especiais, casa própria, gabinete dentário, financiamento para aquisição de sede própria para o Sindicato e fiança para aluguel de casa. Outras reivindicações são o fim do trabalho aos sábados, horário do trabalho bancário (art. 224 da CLT); fixação, pela Prefeitura, de um horário de funcionamento dos bancos e fiscalização do horário de trabalho pelo Sindicato. Organização sindical, comissão de bancos, delegados sindicais, sindicalização obrigatória e estabilidade sindical, além de problemas nacionais como inflação e carestia, reformas de base e gabinete nacionalista e popular integram a pauta.

As conquistas da campanha salarial, concluída em janeiro, já não eram suficientes para a manutenção do padrão de vida do bancário. Assim, em setembro, o Sindicato tem nova pauta de reivindicações aos banqueiros, com 80% de aumento geral; Cr$ 18.000 de aumento mínimo; Cr$ 6.000 de comissão para chefia/tesouraria; Cr$ 2.500 de qüinqüênio; 40% de aumento em 6 meses após a assinatura do acordo e Cr$ 2.000 de salário-família por dependente. Revoltados com a situação política e econômica, os bancários decidem em assembléia realizar greve geral como forma de advertência aos políticos que, segundo avaliação da diretoria, menosprezavam os problemas do povo. A paralisação aconteceu em 15 de setembro e ficou decidido que o Sindicato manteria estado de assembléia permanente. Após a paralisação os banqueiros apresentaram a seguinte contra-proposta: 50% de aumento regional e Cr$ 2.000 de qüinqüênio, com extensão do acordo até novembro de 1963. A categoria rejeita. Porém, em 3 de outubro é firmado o Contrato Coletivo de trabalho com os banqueiros. É nesse ano também que o Sindicato se filia à federação e começa a ser pensada a compra de uma sede. Numa assembléia, o participante Fausto Chacon sugere que se incluam entre as reivindicações a Participação nos Lucros dos bancos. Outras reivindicações são o abono de Natal (13º) e salário mínimo de menores.

1963 - Conquistado o salário profissional nas seguintes bases: 30% para os salários de portaria; 45% para escriturários e 65% para caixas. Os índices foram baseados no salário mínimo da época. Mesmo assim, em assembléia de 17 de setembro no Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André ficou decidido que os bancários do ABC participariam de greve nacional da categoria por 24 horas. A orientações do Sindicato são: a greve seria de consciência e sem piquetes; o Sindicato distribuiria panfletos aos que não pudessem comparecer à assembléia; deveria ser evitado agrupamento nas portas dos bancos a fim de alertar e avisar os possíveis fura-greves; seriam constituídas caravanas para São Caetano, São Bernardo, Ribeirão Pires e Mauá. A greve atinge todo o País.

As eleições do Sindicato neste ano tiveram redução de 15 bancários em condições de votar em relação ao pleito passado (de 297 para 282, com comparecimento de 219). Mais uma vez apenas uma chapa, encabeçada por Wladimir de Paula Fernandes, se inscreve para a disputa. O resultado para o mandato 1964/1966 foi o seguinte: Wladimir de Paula Fernandes, Gumercindo Brandão Junior, João Garzini Filho, José Ripari, José Carlos Gulin Monice, José Gonçalves Correa e Odair Mariano da Silva. Foram eleitos ainda para a Federação dos Bancários Lincoln dos Santos Grillo, José Gilson Antunes de Souza e Gervásio Silva.

1964 - Foi nesse ano que aconteceu o golpe militar no Brasil. Uma das principais atitudes dos militares foi intervir nos sindicatos, impedindo a livre organização dos trabalhadores. No dia 27 de junho, o interventor do Sindicato dos Bancários do ABC, Antonio Mauro de Lima Bastos, convocou assembléia extraordinária com a seguinte pauta: o quê fazer com os recursos da categoria que estavam nas contas da entidade; instalação de um salão de barbeiro e organização de uma biblioteca, entre outros assuntos. Nessa época o Sindicato tinha em sua conta Cr$ 4.000.000 (quatro milhões de cruzeiros) e o interventor, cuja gestão havia criado uma cooperativa de consumo para os empregados dos bancos, decidiu emprestar Cr$ 2.500.000 (dois milhões e quinhentos mil de cruzeiros) para saldar a primeira compra de mantimentos.

1965 - Toma posse uma junta governativa presidida por Ney Barbosa, Genésio Garcia de Oliveira (tesoureiro) e Almir de Souza (secretário-geral). Essa junta tentou por várias vezes realizar assembléia para deliberar sobre gastos com os recursos do Sindicato, mas não foi possível pela ausência de bancários. Na terceira tentativa, mesmo sem atingir quorum, foram aprovadas compra de cortinas, um cofre, um carro e a criação do clube recreativo dos bancários.

1966 - Assembléia discute aquisição de sede própria, com subseqüente instalação de consultório dentário. O Sindicato, que já havia sofrido a intervenção, solicita a devolução de uma cadeira de barbeiro, mesa de mimeógrafo, mesa de ping pong, cadeiras e chaves, além de decidir mudar o segredo da fechadura. Um encontro discute a preparação para convenção estadual, em Santos, e um congresso. Participa de reunião o representante da federação de SP e MT, Antônio Tupinambá de Oliveira. Em pauta estão unificação da Previdência Social, instituto da estabilidade, horário bancário, emendas da CLT, escolha de delegados. O Sindicato é contra a unificação e o item da estabilidade (as justificativas para esta oposição foram arrancadas do livro-ata).

A campanha salarial discute a necessidade de aumento, mas não há citação de índice. Também não se fala em mobilização, mas sim em pedir autorização dos bancários para ir a dissídio se necessário. Debate-se a contabilidade do Sindicato. Segundo ata, os interventores (são citados Antonio de Lima Bastos e Ney Barbosa) teriam deixado dívida de 600 mil cruzeiros. A conta do Sindicato passa para o Banco Real do Progresso, em Santo André.

1968 - Wilson Adhmann é o presidente do Sindicato. A ata registra apenas assinaturas de bancários que concordam em autorizar a entidade a negociar acordo salarial. São 21 nomes e não há data. A diretoria é composta por Francisco Carlos Domingues (secretário-geral), Dorgival Schitini Cavalcant (primeiro-tesoureiro) e Aparecido Costa Morais (tesoureiro), que em 1971 fundaria o Clube dos Bancários no Riacho Grande, sem vínculo com a categoria. Um dos assuntos do ano é deliberar sobre a compra de sala no 4º andar do edifício Embaixador. A sala custa 16 mil cruzeiros novos e seria usada para montar ambulatório médico que atenderia sócios do Sindicato. A compra é aprovada. Luís Rodrigues, vice-presidente da entidade, sugere transferência da sede, no 3º andar deste prédio, para esta sala. A proposta também é aprovada.

Há discussão da proposta orçamentária para 1969, aprovada por aclamação, sem mais dados. Em 19 de setembro a assembléia não tem quorum suficiente para discutir índice ou aprovar negociação. Espera-se por duas horas e, de novo sem quorum, é declarada “assembléia permanente”.

1969 - A assembléia do dia 14 de julho também não dá quorum na primeira hora; depois de mais duas, 19 presentes votam em urna e aprovam balanço de 1967 e 1968 e “respectivos relatórios da diretoria e pareceres do conselho fiscal” (possivelmente referentes às propostas orçamentárias para 1969/1970).


Anos 70
1972 - Na eleição de dezembro de 1971, a primeira depois do golpe militar, dos 390 associados do Sindicato com direito a voto comparecem 294, que elegem a chapa única formada por: Antonio da Silva (presidente), Osmar Marquesini, Evair José Gonçalves, Carmelinda Aparecida Vicente, Ney Barbosa, Dorgival Cavalcante e Osmar Vendrúsculo.

1975 - Nas eleições deste ano há crescimento no número de associados com direito a voto. Foram 1.364 votantes, que elegeram uma diretoria mais uma vez sem concorrentes. Os eleitos são Osmar Marquesini (presidente), Luiz Carlos Pacheco, Carmelinda Aparecida Vicente, Acácio Abel Crespo, Antonio Fausto Cirillo, Evair José Gonçalves e Durvalino Perolo.

1978 - O número de bancários cresce. Participam do pleito 1891 votantes que elegem a única chapa, a exemplo do vinha ocorrendo em eleições passadas. Os eleitos: Osmar Marquezini (presidente), Luiz Carlos Pacheco, Carmelinda Aparecida Vicente, Francisco Carlos Domingues, André Carlos Martins, Evair José Gonçalves e Jorge Miguel de Souza.

Anos 80
1981 - Eleitos para os próximos três anos: Osmar Marquesini (presidente); Francisco Carlos Domingues (vice-presidente); João Claboxar Gil (secretário-geral); Evair José Gonçalves (tesoureiro); Carmelinda Aparecida Vicente; José Carlos Martins, Jorge Miguel de Sousa, Wagney Borges de Castro, Samuel Almeida de Oliveira, Pedro Isidoro Pereira, José Carlos de Oliveira, Claudemir Donato, João Bosco de Macedo e Jurandir Ferreira.

1986 - Uma única chapa inscrita para o pleito. Dessa vez por decisão judicial, porque não foram encontradas atas de que havia uma segunda chapa inscrita, embora conste nos livros a transcrição de que uma liminar havia sido cassada e anexada à ata das eleições. A Oposição Bancária de fato inscreveu-se para concorrer ao pleito, mas foi impedida por força da manobra judicial da direção do Sindicato. A chapa encabeçada por João Claboxar Gil é eleita com 1.021 votos, dos 1.758 bancários com direito a voto. Comparecem 1.314 votantes. Essa diretoria prorrogou o mandato até junho de 1991. Além de Gil os eleitos foram Juraci Antonio dos Santos, Vagney Borges de Castro, João Batista Pedrosa, Paulo Roberto Aparecido Giacon, Carmelinda Aparecida Vicente e Waldir Martins Coelho. Delegados à Federação: João Claboxar Gil e Antonio Renan Arrais.

1988 - No final deste ano Vanderlei Siraque, um dos principais líderes da Oposição Bancária no ABC, é eleito vereador em Santo André. Mas uma alteração irregular no estatuto do Sindicato impede mais uma vez que a Oposição Bancária dispute as eleições. A direção do Sindicato prorroga o próprio mandato e transfere a eleição para 1991. Siraque então ajuíza série de ações na Justiça em nome dos militantes da Oposição Sindical, encabeçados por Vagner de Castro, bancário do Banespa.

Anos 90
1991 - Decisão judicial anula a prorrogação do mandato da diretoria e alteração do estatuto do Sindicato. Assume uma junta provisória encarregada de convocar eleições democráticas. Mas esta junta permanece na direção do Sindicato apenas uma semana, em função de liminar obtida pela diretoria anterior. Apesar da curta permanência o episódio foi fundamental para a retomada do Sindicato pelos bancários. As informações sobre as irregularidades na gestão da entidade, levantadas nesse período, são fator decisivo para a vitória da Oposição Bancária.

A junta foi integrada por Tânia Regina Rocha Araújo, Antônio Arrais, Nedir Fernandes de Almeida e Vagner de Castro, entre outros.

1994 - É o fim de quase duas décadas marcadas por irregularidades e ausência democrática na história do Sindicato dos Bancários do ABC: a Chapa 2, da CUT, elege José Luís da Silva, bancário do Itaú, para presidência e, a partir daí, tem início novo ciclo na organização da categoria no ABC.

1997 - Com o Sindicato de novo nas mãos dos bancários a categoria retoma sua organização. Duas chapas concorrerem, uma delas encabeçada por Tânia Mara Martins dos Santos e a outra por Vagner de Castro. A categoria elege a segunda, e Vagner de Castro assume a presidência da entidade. Sua gestão prossegue até o final da década, com reeleição por duas vezes consecutivas. Aumenta o número de sindicalizados e a participação dos trabalhadores nas atividades sindicais. Vagner deixa a presidência em 2006, quando assume posto na Fetec-SP, embora prossiga como diretor sindical da entidade no ABC.

Oposição Bancária
A partir dos anos 80, com a Anistia e o surgimento do Novo Sindicalismo, nascido das grandes greves metalúrgicas de São Bernardo, os Bancários do ABC passam a contar com uma outra diretriz. A democracia começa a se fortalecer no País, e a categoria pode enfim se manifestar. É a vez de a Oposição Bancária atuar, reunindo representantes comprometidos com o este jovem sindicalismo e o retorno do Estado brasileiro à condição democrática. A recente ditadura deixara de fato muito a fazer pelos cidadãos do Brasil que, rico, tinha um dos piores índices de distribuição de renda e analfabetismo do mundo, continuava bastante endividado com o FMI e atrelado assim aos ditames da economia e cultura norte-americanas. É nesse contexto que os principais sindicatos do ABC, entre eles os representantes da Oposição Bancária, fecham os anos 70 com disposição renovada de luta, inaugurando uma década que traria de volta o direito ao voto livre, inclusive para presidente da República, a criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o conceito de Sindicato-cidadão, aquele preocupado com todas as questões sociais relacionadas à cidadania dos trabalhadores.



Vídeo mostra história dos 20 anos de luta da categoria bancária
Em 1984 a categoria bancária consegue dar um salto na organização nacional. Ocorre a primeira eleição da Diretoria de Representação do Banespa (Direp), elegendo Augusto Campos, com apoio da Oposição Bancária do ABC. Esta participação contribui para o fortalecimento da estrutura organizacional na região. No ano seguinte, tão logo ficaram definidos os eixos nacionais da campanha salarial, num encontro de bancários de todo o País, a Oposição Bancária assume o papel de reunir a categoria no ABC. As assembléias acontecem no Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e, nos momentos decisivos, reúnem mais de dois mil trabalhadores. Numa delas o ABC decide entrar na primeira greve nacional da categoria após o golpe militar, nos dias 11 e 12 de setembro. Mais de 80% cruzam os braços, conquistando a aprovação da proposta de reajuste de 90,78% no julgamento do dissídio no TRT.


 



Legitimidade
A eleição no Sindicato é marcada para os dias 9, 10 e 11 de dezembro de 1986, ao mesmo tempo em que a CUT articula greve geral para o 12 de dezembro. A Oposição Bancária inscreve-se para concorrer, mas é impedida por força de manobra judicial da direção do Sindicato. A Oposição articula um boicote às eleições, mas a Chapa 1, de situação, é declarada vitoriosa. Com a derrota, acontece série de demissões de lideranças bancárias ligadas à Chapa da Oposição. Isso dificulta o processo de reorganização da categoria, mas não impede que militantes ligados à CUT continuassem a influir no processo de luta e mantivessem a organização na categoria, principalmente nos bancos públicos.

No final de 1988 e começo de 89, com o apoio do recém-eleito vereador de Santo André Vanderlei Siraque - um dos principais líderes da Oposição Bancária no ABC - as coisas começam a mudar, mas as dificuldades para instalação de um processo democrático no Sindicato ainda são muitas. Em 1989, uma alteração irregular no estatuto da entidade impede mais uma vez que a Oposição Bancária dispute as eleições. A direção do Sindicato prorroga o próprio mandato e transfere a eleição para 1991. Uma série de ações na Justiça para garantir eleições democráticas na entidade é então ajuizada por Siraque em nome dos militantes da Oposição Sindical, encabeçados por Vagner de Castro, bancário do Banespa. Decisão da Justiça neste mesmo ano anula a prorrogação do mandato da diretoria e a alteração do estatuto do Sindicato. Assume uma junta provisória encarregada de convocar eleições democráticas. Mas a junta permanece na direção do Sindicato apenas uma semana, em função de liminar obtida pela diretoria anterior.

Apesar da curta permanência o episódio foi fundamental para a retomada do Sindicato pelos bancários, o que acabou acontecendo em 1994. O volume de informações sobre as irregularidades na gestão da entidade, levantadas nesse período, foi decisivo para a vitória da Oposição Bancária. É o fim de quase duas décadas marcadas por irregularidades e ausência democrática na história do Sindicato dos Bancários do ABC: a Chapa 2, da CUT, elege José Luís da Silva, bancário do Itaú, para presidência e, a partir daí, tem início novo ciclo na organização da categoria no ABC.

Atual (2006/2009)
Maria Rita Serrano, historiadora e bancária da Caixa Econômica Federal, é eleita em 2006 a primeira presidenta do Sindicato dos Bancários do ABC. Em sua gestão o número de sócios é ampliado e chega a 75% da categoria, índice bem acima da média nacional de sindicalização (20%). Aumenta a também a demanda e os serviços oferecidos aos sócios. É inaugurada nova sede própria na rua Francisco Amaro, em Santo André, dando início a reformas na sede anterior e construção de mais espaços para o bancário.

Presidentes
1959 a 1963 – Lincoln Grillo

1964 –Wladimir de Paula Fernandes. Seu mandato deveria durar até 1966, mas é interrompido pelo golpe militar.

1964 – Assume o interventor Antonio Mauro de Lima Bastos

1965 – Assume uma junta governativa integrada por Ney Barbosa, Genésio de Oliveira, Almir de Souza.

1966 - Ata de 4 de março de 1966 registra que Lincoln Grillo é novamente o presidente. Quem assina é Osmar Marquezini.

1966/1967 – Osmar Marquesini

1968 – Wilson Costa Adhmanns

1971 – Na primeira eleição depois do golpe militar é eleito Antonio da Silva.

1972/1985 – Silva se licencia e assume Osmar Marquezini

1986 – João Claboxar Gil

1988 – Diretoria prorroga mandato até 1991

1991 – Assume junta provisória por uma semana composta por Tânia Regina Rocha Araújo (presidente), Antônio Renan Arrais (vice), Nadir Fernandes de Almeida (secretário-geral), Natalino Yoshimi Sakamuta, Ana Luiza de Carvalho, Vagner de Castro e Regiane Maria Pasqualini.

1991 – Vagney Borges de Castro

1994 – José Luiz da Silva (Oposição Bancária)

1997 – Vagner de Castro

2000/2006 – Vagner de Castro

junho 2006/atual – Maria Rita Serrano




 



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