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Saúde | 25/03/2009
Metas abusivas trazem doenças físicas e psicológicas aos bancários
Categoria ocupa primeiro lugar no ranking de registros de LER/Dort no país

Depressão, síndrome do pânico, LER/Dort, metas abusivas a serem cumpridas: esse é o cenário vivido pelos bancários do HSBC, o que faz várias reclamações chegarem ao Sindicato.

“Bater metas é complicado porque uma determinada agência tem mais dificuldade de vender determinado produto do que a outra, e isso cria um transtorno. Sei que se não for obrigatório, ninguém vende, mas eles pegam muito pesado”, afirma uma funcionária do HSBC. Ela diz também que por conta dessa pressão o serviço acumula e os funcionários ficam estressados, além disso, agora o setor de atendimento também tem que vender. “Isso acaba chateando os clientes, já que quando eles entram na agência, todos os funcionários ficam oferecendo produtos, desde o atendente na entrada, o caixa, os gerentes e o pessoal do atendimento. Isso é muito chato, muitos clientes saem nervosos”, contou.

Outra funcionária do banco afirmou que sempre bateu metas e lutou por melhores salários, mas frequentemente ouvia que, para  conseguir um aumento, tinha que atingir a PTI (Participação Trimestral Individual). Essas metas são cada vez mais complicadas e nem sempre é possível cumpri-las. “Isso desmotiva, porque eu sentia que merecia ganhar mais, já que me dediquei tantos anos da minha vida”, desabafou a funcionária que trabalha na instituição há 20 anos. Ela contou também que depois que voltou da licençamaternidade
trabalhou seis meses sem ter que bater metas, já que estava sem carteira de clientes. “Me senti bem melhor e mais livre para vender os
produtos do banco. Sem a pressão de bater metas a gente tem um melhor relacionamento com os clientes e acabava vendendo o que a pessoa realmente precisa, sem pressão”, disse.

Doenças ocupacionais

Segundo o Ministério da Previdência Social, entre 2000 e 2005, os bancários ocuparam o primeiro lugar no ranking de registros da doença no país.

Neste período foram gastos R$ 981,4 milhões pagos em auxílio-doença a 25,08 mil bancários afastados do trabalho por doenças incluídas nessas classificações. Foi constatado também que, entre os bancários, em média, cada trabalhador permaneceu um ano e meio afastado. Somados, são 14,9 milhões de dias sem trabalhar. De acordo com os dados da Previdência, para cada grupo de 10 mil trabalhadores, 520
bancários foram afastados por LER/Dort entre 2000 e 2004. “As metas abusivas e a insegurança que ocasionam um ambiente de trabalho
estressante estão entre as causas de adoecimento”, afirma Adma Maria Gomes, secretária de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicato.

LER-Dort

São síndromes degenerativas e cumulativas e sempre acompanhadas de dor ou incômodo, provenientes não somente da atividade ocupacional intensiva, mas também de atividades realizadas sob intenso estresse. Incluem-se como LER/Dort doenças de coluna, tendinite, bursite, síndrome do túnel do carpo, entre outras.

Os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORTs) são responsáveis por 90% dos casos de absenteísmo, licença médica e
invalidez no Brasil. Dentre os profissionais que mais sofrem com essa doença, estão os bancários, uma vez que realizam tarefas repetitivas.

Prevenção

A prevenção é a melhor forma de combate a este tipo de patologia. “A organização no local de trabalho também é fundamental. A ergonomia física (iluminação, mobiliários adequados e temperatura), aliada ao ritmo de trabalho, adotado hoje pelas empresas são de extrema importância”, ressalta Adma.

Como os profissionais passam a maior parte do tempo no escritório, é importante prestar atenção aos próprios hábitos, para não desenvolver esse tipo de doença. Confira abaixo algumas dicas de prevenção, a serem adotadas pelos próprios profissionais:

• Movimente-se no escritório: não fique durante todo o expediente sentado. Em intervalos de tempo, levante e faça uma pequena caminhada;

• Improvise caminhadas: elas podem ser feitas na ida ou volta ao trabalho ou até mesmo depois do almoço;

• Cuidado com a postura: quando sentamos e queremos relaxar, muitas vezes podemos forçar nossa coluna, o que a prejudica. Por isso,
evite posturas inadequadas e que desfavoreçam a circulação;

• Atenção com o computador: sempre apóie o antebraço ao mexer no mouse e encoste toda as costas no encosto da cadeira;

• Alongue-se frequentemente: isso fará com que seus músculos se tornem mais flexíveis e melhorará sua postura e qualidade de vida.





 



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